Já dizia Fernando Pessoa que "A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida": agradável, estimulante, completa, tranquila,... A literatura remete-nos para um outro mundo: faz-nos viver de forma paralela, permite-nos, por longos momentos, afastarmo-nos da nossa vida problemática ou monótona e concentrarmo-nos noutras histórias - que não a nossa própria história. É uma fonte inesgotável de vantagens culturais, intelectuais e psicológicas que o comum dos mortais tende a ignorar.
A falta de cultura, a falta de tempo, a falta de interesse, a falta de vista: tudo serve de justificação para que a livraria, que não tem obras de imprensa, seja a loja menos visitada do centro comercial.
Chega a ser vergonhosa a falta de bases literárias dos portugueses - nem o jornal é lido! Quando se chega a um ponto em que as crianças que gostam de ler são gozadas e tratadas como sobredotadas e quando a moda incentiva a assumir publicamente o "Não gosto de ler!", torna-se urgente estudar estes estranhos seres que habitam a Terra.
Qual será o problema? Falta de variedade literária? Não creio. Desde Pessoa a Camões, passando por Rebelo Pinto, Tamaro e Rodrigues dos Santos, referindo ainda todos os Smith(s) e restantes "estrangeirados" presentes nas livrarias portuguesas, chegando ao ponto de referir os livrinhos que nos ensinam a cuidar do cão, do gato (e da formiga), conseguimos concluir que o problema não está na falta de variedade, mas sim na falta de conhecimento da variedade.
O comodismo leva a não procurarmos, o não procurarmos faz com que não conheçamos, o não conhecermos faz com que ignoremos a literatura.
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