Eu adorava voltar a escrever, muito e bem.
Eu adorava não encher este blog de textos pirosos e
melodramáticos.
Eu adorava escrever algo diferente disso.
Eu adorava ser mimada, irritante, presunçosa e
inconsequente.
Adorava ser irresponsável – mas isso não é de agora – na verdade
eu sempre quis ser irresponsável, porque a minha responsabilidade irrita(va)-me
per fundamente! No infantário achava que percebia sempre mais de tudo do que as
outras crianças – e será que percebia? Tinha a mania que pensava como os
adultos: fazia os pensamentos contrafactuais mais detalhados possíveis e construía
mil e uma histórias em cima de uma hipótese.
Gostava de ficar a observar os adultos e investigar por conta própria, sentia que percebia sempre tudo, além do que me diziam, além do que deveria saber– mas não gostava, assustava-me.
Gostava de ficar a observar os adultos e investigar por conta própria, sentia que percebia sempre tudo, além do que me diziam, além do que deveria saber– mas não gostava, assustava-me.
Eu adorava ser irresponsável.
Eu adorava viver ao sabor do vento, obrigar os outros a
preocuparem-se por mim e não ter a mania de resolver tudo sozinha. Adorava não
ser orgulhosa, viver às custas de alguém e não me preocupar com as contas no
final do mês.
Eu adorava voltar a fotografar… muito, fotografar muito e
bem.
Eu adorava dar a atenção que os meus amigos merecem - acho
que agora já são só amigas, poucas.
Eu adorava que os meus amigos – aqueles que dizem que eu
mudei, substitui e não me preocupei – continuassem presentes. Talvez um dia,
quando tiverem de ser adultos, percebam que não era falta de interesse e que a
falta de tempo não era falta de disponibilidade (são coisas diferentes).
Eu adorava não chorar quando penso neles.
Eu adorava voltar a passar os fins-de-semana entediada por não
ter de fazer nada, quando me irritava com a TV por não passar filmes do meu
agrado.
Eu adorava ser irresponsável.
Eu adorava estudar – só estudar.
Eu adorava não ter pena de mim – mas tenho. As pessoas têm
muito pudor em dizerem que têm pena – não percebo porquê! Lamento que assim
seja, daí ter pena. E ter pena não é fazer-me de coitadinha. Não sou
coitadinha: muito pelo contrário. E é por não ser coitadinha que tenho pena de
mim.
Eu adorava ser irresponsável.
Eu adorava fugir de Lisboa – porque no fundo ainda tenho
esperança que outra cidade me proporcione uma rotina diferente.
Eu adorava voltar a ser criança e sonhar com Coimbra
cor-de-rosa e fácil. Onde um apartamento e as propinas apareciam pagas por uma
varinha mágica e o frigorífico estava sempre cheio.
Eu adorava não pensar tanto.
Eu adorava ser irresponsável…
Mas quando se é responsável, competente e egoístas para com a nossa própria vida essa irresponsabilidade nunca chega porque no fundo no fundo queremos ser nós próprias a dar a volta por cima para no fim dizer: Fui eu que fiz isto! As vezes era bom que outro alguém se preocupasse tanto como nós mas no fundo reza o velho ditado " Se queres uma coisa bem feita fá-la tu!"
ResponderEliminarBjos