quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Há algo que te irrita... Há algo que me irrita... De mansinho, sem causar muito alarido e causando muito desconforto - Não te conseguir escrever!

Eu escrevo de tudo - muitas vezes de nada. Escrevo principalmente sobre o que me incomoda, o que ocupa o meu pensamento, o que não me deixa tranquila, o que me cansa,... o que me irrita! E percebi que só assim consigo falar de ti.

Tu não me irritas - só quando me fases cocegas ou quando chegas atrasado - mas irrita-me profundamente não conseguir escrever-te!

(Irrita-me!)

E sabes porque é que não te consigo escrever?

(Irrita-me!)

Porque o que tenho contigo é real!

Já foi apaixonado, louco, intenso - e nessa altura eu conseguia escrever-te!

Já foi descoberta, surpresas e fácil - e nessa altura eu ainda conseguia escrever-te!

Agora é um bocadinho de tudo isso, e muito de tudo mais!

Não te consigo escrever porque tu és real!

Não te consigo escrever porque não tenho nenhum desejo obsessivo de que sejas assim ou assado, que faças isso ou aquilo - e quando tenho, digo-te.

Porque tu és real!

Porque tu não deixas o meu pensamento à deriva, porque não me deixas ser criativa quanto ao que desejo para nós - desejo o que temos, sem tirar, nem por. Porque tem de ser assim, porque tu me fazes bem e se me fazes bem, é contigo que é o meu lugar!

Porque tu és real!

(Já não me irrita!)

(Já não te consigo escrever!)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Uma questão de umbigos...

O meu, o teu, o dele, o dela, o do outro, o dos outros,...

Flutuam como bolhas - bolhas umbilicais. Vão chocando uns com os outros na expectativa de alcançar a maior afirmação!

- "O meu é maior que o teu!"
- "O meu é pior que o teu!"

E adam por ai, a invadir Lisboa como umbigos solitários e cheios de tudo: de amor, de problemas, de ego, de preocupações, de discursos moralistas, de falta de moral... Enfim, não lhes falta nada!
É vê-los atravessar o Terreiro do Paço, de manhã cedinho, na sua bolha cheia de vazio. Às vezes, com outra bolha ao lado, mas não suficientemente perto para se unirem.
É vê-los subir o Chiado cheios de pompa.
É vê-los no comboio e no metro. No metro então... É a bolha mais rápida a sentar-se ou simplesmente a conseguir uns centímetros de espacinho para se segurar - a campeã! E ouvir o barulho das bolhas comprimidas, de cara feia e phones nos ouvidos. De vez em quando - muito de vez em quando - lá se vê uma bolha umbilical ceder o seu lugar a uma bolha umbilical idosa. Não é preocupação nem cuidado, é a pontinha de bons princípios que entrou pelo furo da bolha - é urgente remendá-lo!

O mais engraçado é o discurso dos umbigos: se não te queixas é porque está tudo perfeito - a perfeição existe nos umbigos dos outros! - se te queixas, és um umbigo lamentador, deprimido e que renega a felicidade umbilical.


- "O meu é maior que o teu!"
- "O meu é pior que o teu!"

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ela

Ela tem a maneira mais esquisita, natural, pura e apaixonada de viver a vida que eu conheço.
Ela é aluada e empenhada, além de dedicada...
Deve ter alguns defeitos, mas eu não os conheço - ainda bem!
Envia-me mensagens de bons dias, todos os dias - não se esquece em nenhum!
Está sempre, sempre, mesmo sempre disponível para todos, os "todos" é que não estão disponíveis para ela - como eu!
Ela não se esquece de mostrar o quanto gosta de alguém.
O que um comum mortal encararia de forma agressiva ou ciumenta, ela encara como mais uma experiência positiva que a faz crescer.
Ela realmente aproveita cada minuto "em que lhe é possível respirar" - como ela diz. Todos deveríamos ser assim, não é? Aproveitar cada minuto de vida da melhor maneira, não nos chatearmos por tudo e por nada e lutarmos para sermos felizes.
Ela tem uma filosofia de vida que eu venero, cada vez mais!
Conheci-a porque ela me pegou ao colo quando eu caí, e nunca me vou esquecer disso.
Ela é única - de verdade!
Ela é a minha madrinha académica, mas acima disso, ela é uma grande amiga!

sábado, 10 de novembro de 2012

Sinceramente


Eu adorava voltar a escrever, muito e bem.

Eu adorava não encher este blog de textos pirosos e melodramáticos.

Eu adorava escrever algo diferente disso.

Eu adorava ser mimada, irritante, presunçosa e inconsequente.

Adorava ser irresponsável – mas isso não é de agora – na verdade eu sempre quis ser irresponsável, porque a minha responsabilidade irrita(va)-me per fundamente! No infantário achava que percebia sempre mais de tudo do que as outras crianças – e será que percebia? Tinha a mania que pensava como os adultos: fazia os pensamentos contrafactuais mais detalhados possíveis e construía mil e uma histórias em cima de uma hipótese.
Gostava de ficar a observar os adultos e investigar por conta própria, sentia que percebia sempre tudo, além do que me diziam, além do que deveria saber– mas não gostava, assustava-me.

Eu adorava ser irresponsável.

Eu adorava viver ao sabor do vento, obrigar os outros a preocuparem-se por mim e não ter a mania de resolver tudo sozinha. Adorava não ser orgulhosa, viver às custas de alguém e não me preocupar com as contas no final do mês.

Eu adorava voltar a fotografar… muito, fotografar muito e bem.

Eu adorava dar a atenção que os meus amigos merecem - acho que agora já são só amigas, poucas.

Eu adorava que os meus amigos – aqueles que dizem que eu mudei, substitui e não me preocupei – continuassem presentes. Talvez um dia, quando tiverem de ser adultos, percebam que não era falta de interesse e que a falta de tempo não era falta de disponibilidade (são coisas diferentes).

Eu adorava não chorar quando penso neles.

Eu adorava voltar a passar os fins-de-semana entediada por não ter de fazer nada, quando me irritava com a TV por não passar filmes do meu agrado.

Eu adorava ser irresponsável.

Eu adorava estudar – só estudar.

Eu adorava não ter pena de mim – mas tenho. As pessoas têm muito pudor em dizerem que têm pena – não percebo porquê! Lamento que assim seja, daí ter pena. E ter pena não é fazer-me de coitadinha. Não sou coitadinha: muito pelo contrário. E é por não ser coitadinha que tenho pena de mim.

Eu adorava ser irresponsável.

Eu adorava fugir de Lisboa – porque no fundo ainda tenho esperança que outra cidade me proporcione uma rotina diferente.

Eu adorava voltar a ser criança e sonhar com Coimbra cor-de-rosa e fácil. Onde um apartamento e as propinas apareciam pagas por uma varinha mágica e o frigorífico estava sempre cheio.

Eu adorava não pensar tanto.

Eu adorava ser irresponsável…

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ESTRANHA FORMA DE VIDA

"ESTUDANTE, ESTRANHA FORMA DE VIDA 

Única em Portugal durante vários séculos, a Universidade de Coimbra é a instituição em que logo pensamos quando o tema é praxe, semana académica ou mesmo queima das fitas. São de lá os choupais, as tricanas e os fados que fazem chorar tanta água como a que carrega o Mondego. Os culpados? Os estudantes, esses sedutores (...)"

Por Bruna Pereira

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

N E C E S S I D A D E S

É necessário conseguir compreender que palavras bonitas e demasiados sorrisos não são sinónimo de que as pessoas sejam correctas para nós.
É necessário perceber que um "Está tudo bem?" sincero e preocupado vale bem mais que palavras amorosas.
É necessário que eu perceba porque é que quanto mais acho que me torno uma pessoa melhor, mais indivíduos que eu considerava importantes se afastam com acusações de coisas das quais eu não me sinto culpada. 

Há alturas assim: em que uma erva daninha consegue destruir todo um quintal que eu me esforço por manter florido e constante todos os dias. 
Há alturas em que me deixo ferir demasiado... E as poucas cordas que me prendem verdadeiramente aqui têm de fazer um esforço brutal, mesmo sem saberem. 
É necessário mais frieza para lidar com as pessoas, tratar das feridas e proteger a pele para que não se volte a magoar.

É necessário dizer às minhas cordas: S, R e R, que o meu maior medo neste momento é de vos formar feridas, ou que me as formem a mim... Sinto que são o suporte de mais do que imaginam.
É necessário dizer à B, que ainda que não saiba de todas as razões de eu estar apenas presa por três cordas, tenta sempre que tudo à sua volta esteja bem... e as suas palavras para comigo têm sempre um peso muito forte!

Sónia, Ro, Ricardo e Bá... Obrigada! 

É necessário que percebam o quanto importam para mim, mesmo que, por vezes, não o demonstre da melhor maneira. 

Neste momento, vocês são o que me mantém estável!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sonhos... II


"Os sonhos não determinam o lugar em que você vai estar, mas produzem a força necessária para tirá-lo do lugar em que está."
Augusto Cury
"Os sonhos tem um preço. Há sonhos caros e baratos, mas todos os sonhos têm um preço."
Paulo Coelho

"Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
acreditar nos sonhos que se têem
ou que os seus planos nunca vão dar certo
ou que você nunca vais ser alguém..."
Renato Russo

"...Desistir dos sonhos é abrir mão da felicidade porque quem não persegue seus objetivos esta condenado a fracassar 100% das vezes..."
Augusto Cury

"Se podemos sonhar, também podemos tornar nossos sonhos realidade."
Walt Disney

"Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnávelmente nosso."
Fernando Pessoa

Hoje percebi que os sonhos não desaparecem, apenas adormecem... E voltam a acordar!
Servem para nos orientar e dar um sentido melhor ao que imaginamos como futuro. Têm uma lógica e uma razão. Podem mudar tudo, ou não mudar nada.
E sobretudo, se não realizados, oferecem uma sensação de haver algo muito importante pendente.
Ele só adormeceu... Continuo a desejá-lo como sempre!